O que escrever sobre a Antártida?

Por semanas após o término dessa viagem, pensei muito em como relatar essa experiência.

Como descrever um lugar tão lindo e tão selvagem?

Como transmitir a sensação de estar frente a uma das exibições mais dramáticas da natureza? A sensação de que você não é absolutamente nada, e de que só está ali observando porque ela (a Antártida) deixa.

Não dá. Simplesmente não dá!

Então optei pelo contrário.

Por maior valor emocional que essa viagem tenha tido para mim, vou descrevê-la de forma mais objetiva e informativa. Até porque talvez essa seja a melhor forma de orientar quem está buscando esse tipo de aventura.

Estruturei esse post em 3 partes principais – clique nos links abaixo para ir direto para cada seção:

  1. Como é a viagem para a Antártida, e algumas dúvidas frequentes;
  2. Atividades que acontecem durante essa expedição;
  3. Relato de como foi a nossa expedição (dia-a-dia).

1. Como é uma viagem para a Antártida?

Grupo dentro de um zodíaco em Paradise Harbour observando uma baleia jubarte se mover na água

Viagens a turismo para a Antártida são feitas em navio tipo cruzeiro. Hoje já são várias companhias que oferecem esse serviço. As viagens costumam durar de 9 a 20 dias, dependendo do roteiro – algumas incluem visitação às Ilhas Malvinas e às Ilhas Geórgia do Sul.

A maioria dos navios sai de Ushuaia. Se for direto para a Antártida, são cerca de 2 dias de viagem até o primeiro ponto de aterrissagem. O tempo de viagem pode variar de acordo com as ondas e com o vento. Esse trajeto pode ser bem turbulento dependendo das condições da Passagem de Drake.

É importante dizer que uma viagem para a Antártida é uma expedição. O que significa que toda a logística é definida durante o trajeto, e está sujeita a várias alterações, de acordo com as condições climáticas. Os pontos a serem visitados são definidos poucos dias, às vezes horas antes das aterrissagens. Isso faz com que cada viagem para a Antártida seja uma viagem diferente.

Qual é a melhor empresa que faz viagens para a Antártida?

Navio da Quark Expeditions ancorado em Paradise Harbour, na Antártida

Nós escolhemos viajar com Quark Expeditions, uma das mais renomadas empresas que atuam nas regiões polares. Como essa foi nossa única experiência de cruzeiro para os pólos, não podemos dizer se é ou não melhor que as outras. Mas baseada na nossa experiência nessa viagem, recomendamos 100% a Quark.

A Quark atua nesse mercado desde 1991, e tem uma equipe excelente. Não temos absolutamente nenhuma reclamação em relação ao serviço que recebemos, desde instalações no navio, conforto, segurança, comunicação e atividades. Como falei antes, não tenho como comparar com outras empresas. Mas em algumas situações como as em que a aterrissagem era mais desafiadora, por exemplo, sempre me senti segura e feliz de ter escolhido a Quark.

Como escolher o cruzeiro para a Antártida

Nosso navio ao lado das gigantescas montanhas da Antártida, próximo a Peterman Island

Atualmente são muitas as opções de cruzeiro para a Antártida. Algumas coisas que acho importante levar em consideração ao escolher sua viagem:

  • A empresa: pesquise a reputação da empresa, procure por avaliações e relatos de quem já viajou com essa empresa para entender como ela opera. O Tripadvisor tem alguns fóruns a respeito de viagens para a Antártida.
  • Sugiro fortemente evitar navios fretados para os chineses. Além do idioma principal no navio ser o mandarim, os cardápios serão voltados para esse público, e a própria cultura de turismo é diferente também. Consulte com o agente de viagens se trata-se de um ‘chinese charter‘.
  • Evite embarcações com muitos passageiros. Na Antártida, existe um limite máximo de 100 pessoas em terra por vez. Por esse motivo, quanto maior o número de passageiros, menor o tempo de cada um no continente.
  • Consulte o que está incluso na viagem, o que precisará ser pago a parte e quais os requisitos básicos para essa viagem. No nosso caso tivemos que pagar um seguro à parte que nos custou R$260 por pessoa. No final da viagem, levamos a parka (casaco impermeável) para casa.
  • Informe-se como é o navio e verifique se o nível de conforto e serviço atende às suas expectativas. Alguns navios são mais luxuosos, outros mais simples. Nem sempre os maiores navios são os mais estáveis na navegação.

Qual o melhor mês para ir para a Antártida?

Pinguim-gentoo com ovo em Peterman Island, Antártida

Cada mês propicia uma experiência diferente na Antártida. Entre Outubro e Novembro, há maior quantidade de pinguins, focas e aves. Dezembro é o mês em que os pinguins colocam seus ovos. Janeiro e Fevereiro são os melhores meses para ver os filhotes de pinguim. Março é uma época propícia para ver mais baleias.

Mas… e o frio?

Me protegendo do frio e da neve em Whilhemina Bay, Antártida

Essa é uma dúvida bem recorrente em relação às viagens para a Antártida. Por incrível que pareça, nós não pegamos muito frio. As viagens a turismo para a Antártida são todas no verão, e a maioria para a Península Antártida, onde a latitude não é tão alta.

Nós viajamos no meio de dezembro e a temperatura média era -2ºC. O dia é muito longo, o que também ajuda – apesar do céu estar constantemente coberto pelas nuvens. A sensação térmica era o pior, por conta do vento. Mas mesmo assim, nada insuportável. O importante é estar bem equipado, com a roupa certa.

Que roupa usar na Antártida?

Vestindo equipamento completo na aterrissagem em Peterman Island

A Quark concede as ‘parkas‘ – casaco grosso impermeável – e empresta botas. Então basicamente você precisa se preocupar em levar uma calça impermeável e algumas camadas de aquecimento. Nossa recomendação do que usar:

  • 2 camadas de calça – uma de aquecimento e outra impermeável – nota: a calça que vai por cima tem que ser impermeável e não só resistente à água – a empresa pode impedir que você participe das atividades se não estiver com a roupa adequada;
  • 1 segunda-pele – uma blusa de tecido respirável que aqueça e fique justa ao corpo;
  • 1 camada de aquecimento – normalmente uma blusa de fleece, ou lã;
  • 2 camadas de meia – ao menos uma delas deve ser bem quente;
  • 1 gorro;
  • luvas bem quentes – o ideal é uma mais fina por baixo que te dê maior flexibilidade e outra por cima mais quente e impermeável;
  • óculos de sol – importantíssimo, pois protege do sol e também da chuva e da neve – nos passeios de zodíaco eles fazem a diferença;
  • um cachecol ou lenço para proteger o rosto e o pescoço;
  • uma mochila impermeável – importante para levar máquina fotográfica e outros equipamentos que você queira levar para as saídas do navio – nota: você precisará ter as mãos livres ao desembarcar do navio;
  • além disso, não deixe de levar filtro solar e hidratante para a pele e para os lábios.

Em Ushuaia, há várias lojas que vendem roupas adequadas para o frio e neve. Ao contrário do que eu esperava, os preços não são exorbitantes – isso porque há isenção do IVA em Ushuaia. Além disso, por ser fora de temporada (verão), nós demos a sorte de encontrar uma loja com 60% de desconto em toda a coleção de inverno.

No navio da Quark também havia uma loja que vende roupas apropriadas para as atividades. Mas não é de se surpreender que lá seja bem mais caro. Ficamos felizes de ter conseguido comprar o que faltava em Ushuaia e não foi preciso comprar nada no navio.

Que idioma se fala no navio?

Toda comunicação dentro do navio é em inglês. No nosso caso, por conta de uma quantidade acima do normal de chineses no navio, havia também a comunicação em mandarim. Mas não espere nenhum tipo de tradução para o português. Para realizar essa viagem, é imprescindível que você ou alguém do seu grupo entenda inglês.

Lembrando que a viagem para a Antártida é uma expedição, então muitas das instruções e orientações serão dadas na hora de cada atividade. Não há como se antecipar em relação a isso. Mas fiquei feliz de ver que toda comunicação mais importante era feita de forma bem clara e pausada, facilitando o entendimento para aqueles que não tem o inglês como idioma nativo.

Como é caminhar na Antártida?

Os glaciares massivos de Paradise Harbour, Antártida

Caminhar na Antártida foi diferente de tudo que já fizemos. Por vezes, parece que você está caminhando em um glaciar, porém a grossa camada de neve é muito mais fofa que o gelo. Na maioria das vezes, usei bastões de trekking (disponibilizados pela Quark) para não escorregar.

Em qualquer aterrissagem, a equipe de expedição da Quark faz a primeira caminhada antes de todos os grupos, para inspecionar e “preparar” o terreno. Quando os primeiros zodíacos com passageiros chegam à terra, já existe um caminho traçado que deve ser seguido para sua própria segurança.

Cada grupo que chega terá um tempo em terra, a ser notificado na aterrissagem do zodíaco. Cada um é responsável por controlar o próprio tempo e voltar para o ponto inicial no horário combinado.

Frente a frente com os pinguins

Fotografando pinguins na Antártida

Você provavelmente verá muitos pinguins – e de perto. E ficará impressionado de como eles são engraçados. Os pinguins são aves que evoluíram com o mar como seu habitát natural. Os pinguins vêm para a terra para se reproduzirem. É visível a diferença da agilidade de um pinguim na água e em terra.

Como em qualquer situação relacionada a vida selvagem, saiba respeitar o espaço do animal. Siga as orientações da equipe de expedição e mantenha a distância mínima dos animais, sempre observando se sua presença está o deixando incomodado de alguma forma. Os pinguins naturalmente irão passar por você, não os siga e jamais tente encostar neles.

Quanto custa uma viagem para a Antártida?

Essa é definitivamente a parte ruim. É preciso juntar uma ‘graninha’ para ir para a Antártida. Principalmente para nós, brasileiros, que estamos com grande desvantagem em relação ao dólar. Mas quer saber? Vale cada centavo. E, na minha opinião sincera, o custo-benefício é muito bom.

São no mínimo 9 ou 10 dias de hospedagem em quartos bons, com pensão completa (comida muito boa), atividades o dia todo, uma equipe excelente para garantir sua segurança e te ajudar no que for preciso, e o principal, para estar na Antártida! Não é pouca coisa!

Os preços variam de acordo com a quantidade de dias, com o navio, quantidade de pessoas no navio e com o quarto escolhido. A Quark trabalha com opções de expedição começando na faixa de US$6.000 por pessoa. Sim, é caro. Mas é uma experiência única!

Nossa cabine era dupla mas com visão obstruída – acabou sendo muito melhor que esperávamos!

Quer economizar? A maioria das empresas abre algumas janelas de desconto, é preciso aproveitar as oportunidades. A maior delas é chamada ‘last minute deal’, em que são oferecidas através de agências de viagens dias antes do embarque, para preencher as poucas vagas que sobraram ou que foram canceladas. Foi o que fizemos, mantivemos contato com as agências que vendem essas viagens e conseguimos comprar alguns dias antes com 40% de desconto sobre o preço original. Se quiser saber mais, fique à vontade para escrever nos comentários ou nos mandar um e-mail.

O que é a passagem de Drake?

Ondas batendo no navio – efeito da Passagem de Drake que pegamos na volta da Antártida –  foto de Sharique Chishti

Passagem de Drake, ou ‘Drake Passage’, é o nome dado ao trecho marítimo entre Cape Horn, no extremo sul da América do Sul e as primeiras Ilhas Antárticas.

A Passagem de Drake tem sua fama por ser o trecho marítimo mais turbulento do mundo. Isso acontece por conta das fortes correntes de vento que atravessam esse estreito. Nossa equipe de expedição se referia a essa passagem como o “pedágio” que se paga para ir para a Antártida.

O “humor” da Passagem de Drake pode variar muito. O capitão estará sempre consultando a previsão para buscar as melhores condições possíveis para a viagem. No entanto, eles têm uma agenda a cumprir, e por esse motivo não é possível garantir um tempo bom sempre.

Nós tivemos muita sorte na ida de pegar uma passagem extremamente tranquila. Ondas de até 2 metros, o que é fora do usual para a região. Felizmente o trecho de ida foi o mais tranquilo possível e acabamos até chegando na Antártida um pouco mais cedo que o programado.

Na volta, no entanto, não houve escapatória. A tempestade veio com tudo, e por mais que a tripulação tenha trabalhado para pegar só a pontinha dela, a sensação era de que o navio iria virar. As ondas chegavam a mais de 10 metros. O navio virava para um lado e para o outro, muitas coisas caíam no chão. Muitas pessoas passaram mal e não saíram do quarto até chegarmos próximo da América do Sul.

 

Mas é seguro?

Os navios são reforçados e preparados para situações como essa. Pense que muitas embarcações menores e mais antigas já enfrentaram esses mares com muito menos recursos que se tem hoje.

Mas, sinceramente, é muito uma questão de confiança. Nós confiamos que o capitão e a tripulação estavam fazendo o trabalho deles. Nós confiamos que eles não nos meteriam em qualquer situação de risco, até pelo próprio prejuízo que isso causaria à reputação da empresa.

A equipe de expedição repetiu algumas vezes “não é perigoso, só é desconfortável”. O que era sempre bom ouvir de novo, porque a sensação era de que ia virar mesmo.

 

2. Atividades na Antártida

Zodíaco seguindo em direção a Peterman Island, Antártida

Uma expedição para a Antártida conta com várias atividades durante o dia. As principais são as aterrissagens e os passeios de zodíaco – um tipo de bote inflável e motorizado de alta resistência.

Durante o período em que o navio estiver na Antártida, a equipe de expedição irá programar ao menos 1 aterrissagem por dia – na maior parte dos dias, tivemos duas. A aterrissagem acontece em grupos, e é feita através dos zodíacos. O tempo em terra firme vai variar de acordo com a programação do dia e com a quantidade de pessoas no navio. Quanto mais pessoas, menor será o tempo pisando na Antártida.

Nosso grupo durante o passeio de zodíaco

Os passeios de zodíaco, por sua vez, são passeios nesses botes guiados por um membro da equipe de expedição. O objetivo dos passeios de zodíaco é principalmente sentir o ambiente antártico, entrando em áreas de mais difícil acesso, observar a vida selvagem, e contemplar a beleza e a imponência da natureza antártica.

Atividades internas no navio completavam a programação. Todos os dias, havia ao menos uma apresentação da equipe de expedição com informações gerais dos lugares que visitaríamos em seguida, com as condições esperadas, etc. Nos dias de trajeto (ida e volta), várias palestras foram realizadas pelo time da Quark para contar sobre a história, geologia e vida selvagem da Antártida.

 

Atividades Extras

Como opções de atividades pagas à parte, na nossa viagem foram disponibilizados camping, caiaque e paddling. As três atividades têm vagas limitadas e as três tiveram todas as vagas preenchidas – algumas delas antes mesmo da data da viagem. Vou explicar cada uma delas abaixo.

Uma outra atividade extra opcional foi o ‘polar plunge‘ – mergulho rápido nas águas gélidas da Antártida. Muitas pessoas com tendências suicidas (rs) resolveram pular e encarar as águas a quase 0ºC.

 

Camping

Acampamento da Antártida

No nosso navio disponibilizaram 60 vagas para o acampamento na Antártida, que foram preenchidas muito rapidamente. O custo por pessoa era de US$295, e a Quark disponibiliza todo o material necessário. O equipamento para acampar inclui um saco de dormir com uma camada de fleece, uma camada impermeável, e 2 colchões finos. Não são utilizadas barracas, as pessoas ficam ao ar livre.

A equipe de expedição irá sempre procurar escolher a melhor noite da viagem para acampar, considerando as condições climáticas e as opções terrestres mais seguras e confortáveis. O acampamento pode não acontecer, se eles não encontrarem uma boa opção.

Como as condições climáticas na Antártida podem mudar muito rapidamente, é preciso que as pessoas saibam lidar com mudanças repentinas na programação. Na noite em que estava previsto o acampamento, pouco tempo antes do horário de saída, foi anunciado que infelizmente teriam que cancelar a atividade por conta da mudança de tempo. Cerca de meia hora depois, quando os ‘campers’ já estavam voltando para seus quartos, foi anunciado que o tempo mudou de novo, e decidiram por fim realizar a atividade.

 

Como é acampar na Antártida

Nós optamos por não fazer o acampamento, mas todas as pessoas com quem conversamos que fizeram disseram praticamente a mesma coisa: que pouco se consegue dormir, pelo frio, pelo desconforto e até pela claridade do céu. Mas todos também disseram que valeu muito a pena. Clique aqui para ler um depoimento (em inglês) de um amigo nosso do navio que embarcou nessa experiência.

Algumas pessoas nos perguntaram se o céu era muito bonito ou se era possível ver a aurora austral. Infelizmente não, o céu permaneceu bem nublado durante toda nossa estadia na Antártida – o que acredito ser o mais comum. Mesmo que o céu tivesse limpo, a aurora austral só seria visível com o céu escuro; ou seja, teria que ser no inverno.

 

Caiaque

Fazendo caiaque em Paradise Harbour, na Antártida

O caiaque era a atividade extra mais cara do nosso navio – o valor ficava em torno de US$1000 por pessoa. Mas também é o mais bem aproveitado. O pessoal que se inscreveu para essa atividade chegou a andar 5 vezes de caiaque na Antártida. Imagine só, andar de caiaque entre icebergs, com pinguins nadando e pulando na água ao seu redor. A experiência deve ser incrível.

No entanto, o caiaque é uma atividade um pouco mais desafiadora e por isso é recomendada somente para pessoas com alguma experiência.

A Quark disponibiliza todo o equipamento necessário para essa atividade, como botas de neoprene, roupa impermeável, colete salva-vidas e uma dry-bag para colocar alguns pertences.

 

Paddling

Paddling em Paradise Harbour, na Antártida

A diferença do paddling para o caiaque é que o paddling é em um bote maior, inflável, com uma superfície plana e que garante maior estabilidade. Por esse motivo, o paddling é mais adequado para iniciantes.

O custo do paddling por pessoa era de US$225, porém cada um só teria a chance de realizar a atividade uma vez. Os grupos formados eram de até 10 pessoas. A atividade costuma durar entre 1h e 1h30.

Essa foi a única atividade extra que nós nos inscrevemos porém pela quantidade de pessoas que demonstraram interesse infelizmente não tivemos a oportunidade de fazer.

Assim como no caiaque, a Quark providencia todo o equipamento principal para a atividade.

Vale informar que quem realiza as atividades de caiaque e paddling estarão fazendo durante o período de outras atividades (como excursão no zodíaco e aterrissagem) para o resto do navio. O que significa que você pode ter menos tempo nas atividades regulares ou até deixar de fazer alguma para poder participar das extras.

3. Dia-a-dia de nossa viagem para a Antártida

Colônia de pinguins em um iceberg gigante em Pleneau Bay, Antártida

Oficialmente, nossa programação com a Quark era do dia 09 a 19/12. Mas nessa programação estava incluída a primeira noite em Ushuaia, no Albatroz Hotel. No dia 09 só tivemos mesmo um briefing no próprio hotel de como seria a saída.

Nossa aventura começou mesmo no dia 10/12. Deixamos nossas malas com uma etiqueta de identificação da Quark na recepção do hotel às 10hs da manhã. Tivemos a manhã livre em Ushuaia e após o almoço voltamos à recepção do hotel para encontrar com a equipe da Quark.

Às 16hs entramos no navio que nos levaria para a Antártida.

1º dia – Apresentação

‘Pinguins-gentoo’ em Danco Island, Antártida

Ao entrarmos no navio, entregamos nosso passaporte (que fica retido com a Quark durante toda a viagem) e pegamos um cartão de identificação.

Em seguida fomos para o quarto, onde nossas malas já nos esperavam. Nós escolhemos um quarto com visão obstruída, pois achamos que a diferença de preço compensava. Fiquei surpresa de como o quarto era bom. Por ser uma das opções de cabines mais baratas do navio, achei o espaço bom, a janela grande, e a vista nem era tão obstruída assim. Dava para ver o mar.

Em meia hora fomos chamados para o café de boas-vindas, onde fomos recebidos pela equipe de expedição da Quark. Pouco depois tivemos uma palestra com a apresentação da equipe e tripulação e de procedimentos de segurança.

O navio zarpou por volta das 16h45. No momento, pudemos ir para a área externa observar a América desaparecer no horizonte.

2º dia – Entre a América e a Antártida

Passagem de Drake calma – a sorte que tivemos no trecho de ida para a Antártida

O 2º dia foi inteiro de viagem. No horizonte, só mar para todos os lados. A Passagem de Drake nos propiciou um mar bem calmo na ida, o que permitiu que todos participassem das atividades do navio e explorassem a parte externa normalmente.

Tomamos café-da-manhã às 8h. Pouco depois, tivemos uma palestra sobre a IAATO, Associação Internacional das Operadoras de Turismo Antártico, da qual a Quark é membro. Basicamente, como a Antártida é território internacional (não pertence a nenhum país), a IAATO define normas de visitação ao continente antártico para que se preserve ao máximo a natureza e a vida selvagem.

Antes de manhã, tivemos uma sessão de prova das botas e de biosecuridade. A biosecuridade é basicamente a limpeza das roupas que seriam usadas para pisar na Antártida para que evitar levar microorganismos de outros lugares para a Antártida.

No período da tarde, tivemos palestras interessantes de geologia e de ornitologia. Ainda antes do jantar, ainda tivemos um ‘briefing’ para uma atualização da programação. Após o jantar, um dos membros da Quark organizou um ‘bar talk’ para contar histórias de viagens.

3º dia – Chegando na Antártida

Vista de Danco Island, na Antártida: colônias de ‘pinguins-gentoo’ e de ‘pinguins-de-adélia’

Com o mar calmo na Passagem de Drake, eles aumentaram a velocidade do navio e conseguimos programar a primeira aterrissagem na Antártida para o final do 3º dia.

Durante a manhã e a tarde, tivemos mais um ‘briefing’ e 2 outras palestras bem interessantes, uma sobre fotografia e outra sobre baleias. Além disso, houveram alguns briefings específicos para as atividades extras. Foi anunciado que o acampamento estava previsto para ser feito na noite seguinte.

No final da tarde, já começamos a procurar pelos primeiros icebergs!

Anteciparam o jantar para as 18h30. Às 20h30, começaram o procedimento de saída para Danco Island. Embarcamos em um zodíaco para em seguida pisar pela primeira vez na Antártida!

Ao pisar em terra firme, foi quando nos demos conta de que realmente estávamos na Antártida! Como era possível? É difícil até descrever a experiência.

Caminhamos por cerca de uma hora em Danco Island, onde pudemos observar colônias de pinguins. ‘Pinguins-gentoo’ e ‘pinguins-de-adélia’ convivendo juntos, em seus ninhos – em meio a montes de excrementos – mas ainda assim, incrível. Nesse momento, nesse lugar tão selvagem, com tanto para observar, parecia o ápice da viagem. Mas a viagem estava só começando.

4º dia – Lemaire Channel / Peterman Island / Pleneau Bay / Leith Cove

Icebergs em Pleneau Bay, Antártida

No dia anterior, Ali, a líder da nossa expedição, anunciou que nessa manhã nós tentaríamos atravessar um canal estreito chamado Lemaire Channel. No dia anterior mesmo, alguns navios tentaram atravessar e não conseguiram por conta da quantidade de gelo. ‘Mas o visual é lindo e eu acho que vale a pena tentar’, disse ela. E não é que ela tinha razão? Não só conseguimos atravessar como pudemos apreciar aquele visual incrível sem igual no mundo. Isso foi às 7h30 da manhã.

Lemaire Channel

A foto não faz jus: atravessar o Lemaire Channel entre as montanhas gigantescas da Antártida é sensacional. Você não chega a ver as montanhas até o topo por conta da neblina.

Para quem imagina a Antártida como uma imensa planície branca, provavelmente vai se surpreender muito. A Antártida é o continente com maior altitude média (2000m) do mundo.

No estreito Canal de Lemaire é possível perceber e se embasbacar com o tamanho das montanhas de rocha e gelo, que contrastam com a calmaria das águas protegidas do canal. O barco passa muito próximo às montanhas e elas são tão altas que não se enxerga o topo.

Após atravessarmos o canal, foi servido o café-da-manhã. Em seguida, houve um revezamento de grupos para passeio de zodíaco e aterrissagem em Peterman Island.

Peterman Island

‘Crabeater seal’ (foca-caranguejeira) em um iceberg próxima a Peterman Island, Antártida

Peterman Island é uma ilha de origem vulcânica. Sua costa é formada por pequenas praias de pedras e montanhas íngremes. Nessa ilha está localizada um antigo refúgio naval argentino. O refúgio (uma pequena casa de madeira) fica ao lago de uma colônia de ‘pinguins-gentoo’.

Peterman Island é considerada uma ‘Área Importante para Preservação de Aves’ (IBA). Além de colônias de cerca de 3000 casais de ‘pinguins-gentoo’, também é o lar de ‘pinguins-de-adélia’, e algumas espécies de cormorões, petréis e skuas.

Após uma caminhada de pouco mais de 1h na ilha, fizemos um passeio de zodíaco ao redor dela, onde avistamos muitas focas, principalmente da espécie ‘crabeater seal’ (foca caranguejeira).

‘Crabeater seal’ dormindo em iceberg.

Pleneau Bay

“Só mais 5 minutinhos!” – ‘crabeater seal’ bocejando entre sonecas no iceberg em Pleneau bay

Após o almoço, fizemos um passeio de zodíaco em Planeau Bay.

Pleneau Bay é uma baía repleta de icebergs naturalmente esculpidos. O visual é lindíssimo. Nela, é possível também observar dezenas de pinguins e focas em seu ambiente natural.

Icebergs esculpidos pela natureza em Pleneau Bay, Antártida

Grupo de focas nadando próximo aos icebergs em Pleneau Bay, Antártida

Pinguins discuindo quem var ser a “cobaia” e pular primeiro – a foca-leopardo é uma das predadoras dos pinguins na Antártida

No final de tarde, tivemos mais um briefing, que acabou sendo interrompido, pois foram avistadas baleias jubarte próximas ao navio.

O jantar foi servido primeiro para as pessoas que se iriam acampar naquela noite. Os ‘campers’ já se programavam para saída para o acampamento em Leith Cove, uma pequena ilha protegida pela encosta do continente. Próximo das 20h da noite, Ali anunciou com tristeza que por conta de uma mudança repentina no tempo teriam que cancelar o acampamento.

No entanto, pouco tempo depois… surpresa, o tempo mudou de novo! A previsão para a noite melhorou e o acampamento saiu!

Para quem ficou no navio, ainda teve a oportunidade de participar de uma sessão de cinema com direito a pipoca.

5º dia – Paradise Harbour / Whilhemina Bay

Rabo de baleia-jubarte em Paradise Harbour, Antártida

Paradise Harbour

Nossa primeira caminhada no continente – o terreno era todo em subida mas do topo foi possível ver toda a baía

No quinto dia acordamos às 6h da manhã para tomar café às 6h30. Às 8h30 tiveram início as primeiras saídas para aterrissagem e passeio de zodíaco. Mas essa aterrissagem teve algo diferente. Foi nossa primeira vez pisando no continente antártico! Como todas as aterrissagens anteriores foram em ilhas – grudadas no continente, mas ainda assim… essa teve um “sabor” especial.

Paradise Harbour é um dos únicos 2 portos para navios de cruzeiro no continente antártico. É também o local onde fica Almirant Brown, uma base argentina inativa.

O passeio de zodíaco não foi menos especial. Na verdade, foi o melhor “cruzeiro” no zodíaco que tivemos. A baía é profunda e muito glaciada. Seu próprio formato e localização por si só propiciam belíssimas visões. Rochas enormes, glaciares “sem fim”… até uma família de baleias-jubarte nadou a poucos metros do nosso zodíaco!

Baleias-jubarte em frente a glaciares massivos em Paradise Harbour

O dorso de uma das baleias jubartes que passaram ao nosso lado, enquanto estávamos no zodíaco.

Após o almoço, tivemos um novo briefing. Dessa vez, uma grande surpresa nos esperava. Nessa tarde, faríamos o que foi uma das nossas mais espetaculares experiências na Antártida – caminhar sobre um enorme campo de gelo flutuante.

Whilhemina Bay – “fast ice”

A “imensidão branca” da placa de gelo formada pelo próprio mar congelado

Por volta das 16hs, já em Whilhemina Bay, nos aproximamos do enorme campo de gelo (“sea ice”) formado pela água do mar. O navio da Quark começou a navegar e quebrar o gelo mais fino. Em determinado momento, ancorou e a equipe de expedição saiu para avaliar as condições. Ao retornarem, decidiram que não era segura a aterrissagem e tentaram novamente em outro local. Por volta das 17hs, começaram a sair os barcos que levariam os grupos à paisagem toda branca da Antártida.

A princípio, tive medo. Saber que estava pisando em uma camada de gelo com um oceano abaixo de você não é muito reconfortante. Mas a experiência é tão incrível e diferente que em pouco tempo esqueci todo o medo e ficou só a diversão. Uma das nossas melhores experiências na Antártida – se é que é possível eleger uma.

Pela primeira vez na Antártida, tudo o que eu olhava ao redor era branco. As únicas exceções eram o navio da Quark e as ‘parkas’ amarelas espalhadas pelo campo de gelo. Nevava o tempo todo. Apesar disso, tirei o capuz e deixei sentir o ar gelado no rosto.

A equipe da Quark montou uma mesa com um ‘barman’ para servir bebidas com o gelo da própria Antártida. Estavam todos se divertindo tanto, que no final, a atividade virou uma guerra de bola de neve.

Deitados em cima de uma gigantesca placa de gelo e neve

Polar Plunge

Depois dessa experiência surreal, ao retornarmos ao navio, foi anunciado o Polar Plunge – a oportunidade de mergulhar nas águas geladas da Antártida. Incrível a quantidade de pessoas que topou o desafio – sem neoprene nem nada. Foi divertido observar o desespero de alguns e a alegria de outros pulando e comemorando como uma conquista para o “currículo da vida”.

Um mergulho na Antártida – os “doidos” pulando na água a quase 0ºC.

Após o jantar, a equipe ainda convidou os passageiros para uma nova confraternização no bar.

6º dia – Great Wall Station / Robert Point

Antarctic Tern (“trinta-réis antártico”), um lindo pássaro endêmico da Antártida

Em nosso 6º dia de Antártida, a manhã foi destinada ao deslocamento para as Ilhas Shetland do Sul, um arquipélago de ilhas antárticas, localizadas na “porta” da Passagem de Drake.

Por conta do deslocamento mais longo, nossa manhã foi preenchida com uma palestra sobre a história da exploração da Antártida e com um evento opcional de pintura. Ao meio-dia, tivemos um novo briefing, onde foi anunciado que seria feito passeio de zodíaco e aterrissagem na King George Island, pertencente ao arquipélago South Shetland. Essa ilha é o lar da base chinesa Great Wall Station, importante estação de pesquisa de meteorologia, maré, geomagnetismo, entre outros.

Great Wall Station – estação chinesa na Antártida

Great Wall Station – estação chinesa na Antártida

A Great Wall Station foi inaugurada em 1985 e foi a primeira estação de pesquisa chinesa na Antártida.

Infelizmente a base estava passando por uma reestruturação e por esse motivo não nos foi concedida a visitação interna. Para o grupo de passageiros chineses no nosso navio, no entanto, foi uma conquista só o fato de estar lá.

‘Foca-de-weddel’, em King George Island, ao lado da Great Wall Station, na Antártida

Às 18hs, a equipe surpreendeu ao planejar um ‘Polar Barbecue’. Diversas carnes e um buffet de saladas e lanches foram servidos na área externa. Fazia um frio de lascar, mas foi muito divertido.

Robert Point

Às 19h30, deu início a nova sequência de desembarques para Robert Island, uma ilha no centro das Ilhas Shetland do Sul. Robert Point é um local onde a paisagem choca pelo intenso contraste da praia com uma camada pesada de glaciar rachado. É também o primeiro lugar onde vimos colônias de pinguins chinstrap.

As fotos abaixo mostram um pouco da vida selvagem que vimos no local.

‘Pinguim-gentoo’ no ninho com 2 filhotes – em Robert Island, Antártida

‘Chinstrap penguin’ (“pinguim-de-barbicha”) nadando no oceano antártico

Pinguins-gentoo passam em frente a um grupo de jovens elefantes-marinhos em Robert Island, Antártida

‘Petrel gigante’, uma espécie de ave predadora e carniceira, comum na Antártida

7º dia – Elephant Point / Bailey´s Head

Praia na Antártida! A foto é de Bailey’s Head, uma ponta de Deception Island 

No nosso último dia na Antártida, ainda nas Ilhas Shetland, acordamos às 5h30 da manhã. Nosso café foi às 6hs e os desembarques começaram às 7hs.

Elephant Point

Elephant Point, em Ilhas Shetland, Antártida

Essa primeira aterrissagem do dia foi em Elephant Point, uma pequena península raramente visitada pelas expedições antárticas. Um de seus principais atrativos é a abundante vida selvagem antártica, incluindo 2 espécies de pinguim, o petrel-gigante, elefantes marinhos, e até mesmo foca-leopardo.

Elephant Point também é um local onde, dependendo das condições, pode ser feito uma caminhada de 3km em que se tem uma bela vista da península.

Bailey’s Head – Deception Island

A linda encosta de Bailey’s Head, Deception Island, Antártida

Após o almoço, fizemos nossa última aterrissagem na Antártida, na ilha chamada Bailey Head. Bailey Head é, na verdade, a ponta sudeste da Deception Island, que pertence às Ilhas Shetland do Sul.

Deception Island é a caldera de um vulcão ativo que, após uma forte erupção, entrou em colapso, destruindo importantes bases científicas em 1967 e 1969.

A linda praia de Bailey’s Head avistada de cima

A esguia foca-leopardo, um dos maiores predadores da Antártida.

Pelo próprio formato da ilha, a praia de Bailey’s Head recebe mais ondas que outros lugares que fizemos aterrissagem e por isso sair do zodíaco sem levar um banho era um desafio. Mas a equipe da Quark Expeditions era excelente e todos conseguiram aterrissar em segurança.

Por serem ilhas vulcânicas, e estarem mais afastadas da península antártica, a paisagem de Deception Island é completamente diferente dos outros lugares que visitamos. Com menos neve e gelo na superfície, a terra negra lembrou muito de lugares que vimos na Islândia – mas com uma grande diferença – a ilha é habitada por uma colônia de cerca de 40.000 pinguins chinstrap.

Apesar de ter bem menos gelo e neve, a paisagem era lindíssima – e exótica. Os pinguins eram tantos que formavam as ‘vias de trânsito’ (chamadas ‘penguin highways’) ao caminharem do ninho para o mar e vice-versa.

Em Bailey’s Head tivemos também o privilégio de avistar pela primeira vez a foca-leopardo. Essa foca, a mais agressiva de todas as espécies que vivem na Antártida, é carnívora e se alimenta até de pinguins e focas menores.

Colônias de pinguins-chinstrap em Bailey’s Head – todos os pontinhos preto e branco no fundo são pinguins!

Voltar para o navio foi uma tarefa difícil por 2 motivos – pelo receio de entrar no zodíaco em uma praia com swell e também por encarar que estaríamos de fato nos despedindo da Antártida. Claro que o segundo motivo era bem mais forte que o primeiro. Mas uma coisa não podemos negar: fechamos nossa expedição na Antártida com chave de ouro!

Ao voltar para o navio (e desequipar das botas, coletes salva-vidas, parkas, etc.), Ali, a líder da equipe de expedição, reuniu todos para um brinde e uma foto em grupo, para comemorar o sucesso da nossa aventura na Antártida. No entanto, antes de partir para a temível Passagem de Drake, ela nos presenteou mais uma vez: conseguiu que o capitão desse toda a volta por dentro da caldera de Deception Island. Estávamos literalmente dentro do vulcão! E a paisagem… não dá nem para descrever em palavras.

A linda paisagem de dentro da caldera de Deception Island, na Antártida

Já na “porta” da Passagem de Drake, ainda passamos por alguns enormes icebergs no meio do oceano.

Iceberg enorme na beira da Passagem de Drake – os pontinhos escuros dos 2 lados são pinguins!!

A noite encerrou com o jantar e com uma confraternização com quiz. No entanto, muitos já não conseguiram participar. Era o início do efeito “Drake”.

8º e 9º dias – Passagem de Drake

Os 2 dias de navegação em direção a Ushuaia foram preenchidos com uma programação interna do navio. Palestras, confraternizações e atividades gastronômicas foram as distrações para aqueles que conseguiam sair do quarto. Mas diferentemente da navegação dos primeiros dias, agora as ondas eram altas e o mal-estar atacou a muitos, mesmo tomando remédios para enjôo.

Para quem não passou mal, como eu, andar pelo navio sem cair ou derrubar nada às vezes era um desafio. Apesar da divertida sensação de se sentir como no filme ‘A origem’, a inclinação do navio dava aflição e muitas vezes rezei para que não virasse.

As ondas chegaram a 10-11 metros de altura, e a sensação de queda livre após uma onda mais alta também era frequente. Por segurança, os  espaços externos foram bloqueados. Só conseguimos visualizar o mar pelas janelas.

Felizmente, por volta das 15hs do 9º dia, nos aproximamos de Cape Horn, e a costa do continente americano forneceu uma proteção contra os ventos mais fortes. O balanço do navio diminuiu significativamente e as pessoas voltaram a se tornar sociáveis. Parte da área externa foi liberada e foi possível ver o continente de longe.

Em seguida, um briefing com instruções de desembarque foi realizado, seguido de um leilão beneficente para arrecadar fundos para a ONG Penguin Watch, uma organização que faz um importante trabalho de monitorar e proteger os pinguins da Antártida. Nesse mesmo dia, Ali comandou uma importante palestra sobre conservacionismo, incentivando a todos fazerem uma profunda reflexão sobre os nossos hábitos e o que podemos ou não fazer para diminuirmos o impacto das nossas atividades no planeta.

Às 18hs, houve uma sessão para conclusão e agradecimentos, seguido de um coquetel com o capitão. A programação foi concluída com o jantar e uma sessão de fotos.

10º dia – O retorno

Ancoramos em Ushuaia por volta das 7h30 da manhã. O café da manhã foi servido às 7hs. Pouco antes disso, já liberaram os passaportes para retirada na recepção. Ao sairmos para o café, já deixamos nossas malas na porta dos quartos devidamente etiquetadas.

A Quark disponibilizou 2 opções aos passageiros: ir direto para o aeroporto, ou ficar em Ushuaia. Na segunda opção, a Quark seria responsável por levar as malas para um local de armazenamento de bagagens (mas não cobrem o custo do armazenamento). Nós já havíamos conhecido Ushuaia antes de embarcar, então optamos por ir direto para o aeroporto.

Considerações finais

Leith Cove, em Paradise Harbour, Antártida

Com o fim de nossa aventura na Antártida, só posso dizer que sou muito grata por termos conseguido realizar essa viagem. Há um tempo, existia essa vontade de conhecer o 7º continente mas sinceramente achei que era um sonho mais distante do que realmente era.

Apesar de não ser um destino de viagem tradicional (como realmente não deve ser), não consigo imaginar alguém que não fique embasbacado e tocado pela imponência das paisagens colossais da Antártida.

Por isso, se estiver com vontade de ir, se estiver dentro do seu budget, programe-se e vá! A experiência é incrível.

Se senti medo? Muitas vezes.

Senti medo de que acontecesse alguma coisa com o navio. Senti medo de cair na água quase congelada. Senti medo de passar mal na viagem.

Mas, meu maior medo, sem dúvida, foi o de esquecer. Esquecer a sensação que se tem de que somos muito pequenos. A sensação de que não somos donos desse planeta, e sim meros hóspedes dele. E também a percepção de como somos arrogantes ao achar que controlamos o mundo. Em todo o tempo na Antártida, esses sentimentos me marcaram muito. Meu maior medo foi voltar pra casa e esquecer disso.

 
 

Gostou desse post? Clique aqui para compartilhar:

0 comentários

Leia também:

Descubra o Alasca, a última fronteira!

Qual é o seu sonho de viagem?
  • Outros:

GALERIA DE FOTOS